segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sky Flower

Dizem alguns que os fogos de artifício são as flores que tem seu lugar no céu,

-e com estes deve-se tomar todo cuidado, mesmo que todo continue sempre como pouco.

Afinal, algo havia de nascer da tentativa dos homens, de reproduzir as estrelas, as verdadeiras flores nascidas do céu, longes, distantes das mãos daqueles, que perambulam errantes sobre a terra.

Em seu delírio, sua angústia e seu desespero, a tola humanidade amaldiçoou a luz eterna das estrelas, as mesmas estrelas que sempre estiveram os observando com seu inacabável carinho. Nomearam-nas como que sendo "apenas uma ilusão", uma cruel tormenta, hipnotizante quimera que perseguiria os fracos. Uma inglória besta que tomaria o coração dos 'inaptos' que "se negassem a ver as coisas, tais quais elas são".

...Ainda me pergunto, se os humanos realmente acreditam que vêem o mundo, ou se apenas não admitem que seu querido mundo, estranhamente ao mesmo tempo que guardado como tesouro último, é também constantemente cobiçado por seu próprio dono, nada passa de seus próprios sentimentos, encobrindo gritante e declaradamente seus sentidos e sua razão. (mas isso quando resolvem, infantilmente, brincar de modo indevido com coisa séria. Mesmo que esta sagrada maldição continue sendo sua estranhamente dolorosa benção.)

Mas claro, não há como um humano, algo tão frágil, fugaz e efêmero, reproduzir fielmente a eternidade do brilho das transcendentais flores celestes!

Mas, novamente, claro! Não é como se algo audaz, ardiloso e trapaceiro como um humano, não fosse capaz de substituir bela e poéticamente, a beleza eterna de um brilho sem fim, pela frágil, fugaz e efêmera fagulha de uma pequena flor, um ínfimo, breve momento.

Tão belo, tão imprescindível à beleza que,

simplesmente,

Teria de durar para sempre.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Fantasma

"Em branco."

Seria o pensamento solo que viria à minha mente, caso ela não estivesse se esvaziado na maior plena e arrebatadora maestria, após todos esses poucos anos, anos estes que foram tempo demais.

Pois, afinal, ela estava lá.


Ela. Lá.


Sentada numa lanchonete fast food, conversando, rindo. Rindo seu riso que apenas como um fantasma de minhas lembranças pude ver nestes ultimos três anos e sete meses de desespero e confinamento.

Não foi necessária a multidão até as mesas, as crianças de mãos dadas às mães, os integrantes de tribos urbanas no caminho, ou mesmo a densa e onipresente cacofonia que encobria a praça como uma vasta e pesada colcha de retalhos. Todos desempenharam seus papéis quanto à sua inutilidade, pois os trespassei como o mais tenebroso de meus pesadelos, como aquilo que simplesmente não havia estado lá, como um fugaz devaneio.

Nossos olhos, em meio ao distrativo e movimentado ambiente, por entre as vozes e os sons das lojas. Nossos olhos se encontraram por aquele momento, mas por aquele momento somente.

Naquele momento em que se deram mil primaveras, verões, outonos e invernos, nossas palavras foram embora. Nosso sangue parou de correr. Nossos corpos agiram como bonecos feitos de ossos.

(O momento durou para sempre, e para sempre estive com meu amor a ínfimos suspiros de distância. Mas como a eternidade não é suportável à frágil e sucetível mente de um pobre humano como eu, fui forçado a criar uma ilusão para que pudesse viver com os resquícios de minha sanidade.)

A cacofonia retorna, e as pessoas ao meu redor estavam lá novamente.


E então,


Eu o percebo. Eu o percebo novamente. Meu nêmesis, minha impecável assombração.

Realizando mais um desfecho de suas estadias, deixando-me novamente à mercê de meus famintos demônios. Desfazendo-se como aquilo que sempre será, anunciando sem gestos ou palavras, seu inevitável e impetuoso retorno.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Phew.

Ok. Consegui entrar nessa conta depois de ter esquecido a senha há tempos.

Bem, não tem muito o que dizer né, assim, nada de universalmente grandioso ou esplendoroso. Ao menos tem um trambeco na minha cabeça me dizendo isso, eu acho. Mas estou ótimo e sendo um bom cidadão curador no universo nevertheless.

Vou começar psicologia esse ano e estou mais amadurecido do que já fui antes, como sempre. Acho que vou acabar falando com a Riku sobre por um layout legal nesse trem aqui pra fazer um clima mais legal e talvez trabalhar um pouco legal nesse blog.

See ya.

domingo, 6 de setembro de 2009

Jekyll - Prólogo.

"Mas que saco."
Eram essas as palavras que passaram por sua cabeça, enquanto tateava indelicadamente o seu criado mudo em busca de seu despertador que horrívelmente não parava de tocar. Estava pensando em desligá-lo, ou talvez arremessá-lo pela janela o quanto antes. (não que ela estivesse aberta, mas não faria muita diferença, ao menos no presente momento.)

E quando já havia terminado de tropeçar seu caminho até o banheiro, após a inigualável e sobrehumana determinação empregada na caça de algo para vestir em seu guarda-roupas no quarto escuro, o garoto tomava posse de sua escova de dentes, ainda com a visão embassada, preparando-se psicologicamente para o inevitável diário que estava por vir.

Alguns olharam com um que de estranhamento, outros com um de alívio, e ainda aqueles que admiravam dolorosamente a sina do garoto-moço.

Sem amor, sem família, sem aquilo que nos ampara quando caimos de cabeça no abismo de nossos corações. Sem um rumo também, mas disso ele mesmo deu conta, não eram todos que podiam ser felizes afinal -Não ainda, disse ele a si mesmo e a seu companheiro de viagem.

Afinal, o ramo de entrega de sonhos em domicílio não era muito lucrativo, muito menos agradável. Mas era o caminho que ele escolheu sem olhar para trás. (A não ser eventualmente, mas por cautela, apenas checando se _Ela_ não estava lá.)

Alçou voo então ao Soar da Meia Noite, brandindo uma indiscreta e espaçosa aveludada algibeira Anil em suas costas, com rebuscados bordados de luas e estrelas em fios de ouro. Ao Soar da Meia Noite com seu assistente prontamente simultâneo. (Não que ele realmente assistisse no trabalho, ou em qualquer outra hora do dia que fosse, mas não faria muita diferença, ao menos no presente momento.)

Rabo de Peixe 2006

E foi num dia como qualquer um, terminando de almoçar antes do tão sagrado e relaxante curso extracurricular ao final da exaustiva semana de estudos, terminando de almoçar com meu professor, com o veterano, pessoa de respeito, daqueles que busca ter um legado honroso para deixar quando passar dessa pra melhor. (Afinal, artistas são um tanto assim, não são?)

E foi assim, dia novo, alunos novos. Aluna nova ele disse, enfatizando muito bem que ela odiava que errassem o nome dela. (e que ele não realmente lembrava do tal nome, mas achava soar parecido com aqueles componentes auxiliares nas sinapses cerebrais, irônico, não?)
E então desço as escadas e me deparo com o velho pessoal de sempre, e com algum outro certo alguém que nunca vi antes, deduzi ser a tal garota.

E bem, foi assim. Eu conheço algumas muitas histórias dessa cidade cinza montada num avião que mais parece não decolar. Esse é o começo de uma delas.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Todo fim tem um começo, cheap stuff, yet true.

Bem, primeiro blog feito por minha pessoa, espero que não seja tedioso o suficiente para não ser acompanhado.

Sei lá oque por nesse trem aqui, sendo sincero por minha parte, depois eu ponho algo de verdade.